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quarta-feira, 17 de março de 2010

O q ninguém vê na net ...

Legalizar o Jogo do Bicho ?

Após mais de 100 anos de história, o Jogo do Bicho passou a fazer parte do cotidiano brasileiro. Ele está de tal maneira entranhado na cultura popular, que ilegal ou não, contravenção ou não, as pessoas fazem a sua fezinha diária de qualquer maneira.

Quais são as atrações do Jogo do Bicho? Vamos a algumas delas:

É de certa forma lúdico. A associação dos grupos a animais atrai as pessoas, que associam fatos do cotidiano e sonhos aos bichos. Quem nunca sonhou com a sogra e achou que era um palpite para a Cobra que atire a primeira pedra.
É barato apostar. Com apenas R$ 0,50 é possível fazer uma fezinha.
Há grandes chances de ganhar. Ok, grandes chances não, se não o jogo não vingava. Mais é muito mais fácil salvar o jogo no grupo do que acertar a Quadra da Mega-Sena.
Faz parte da cultura do carioca e do brasileiro em geral.
Desde o final de 2011 que a Polícia Civil do Rio de Janeiro vem fazendo operações de combate ao Jogo do Bicho. Por vezes cinematográficas, estas operações levaram a apreensão de computadores, máquinas, carros, e alguns milhões de reais, mas não levou à prisão de nenhum dos “figurões” do jogo. Presos, freqüentemente, são os apontadores, que são soltos em seguida.

Jogo de Azar

O Jogo do Bicho e outros jogos de azar, isto é, cujo resultado depende da sorte, são enquadrados no Código de Contravenção Penal. No Brasil, a exploração de jogos de azar é de exclusividade do governo.

As penas previstas no Código dificilmente passam de um ano de prisão, mas os condenados costumam ser punidos com penas alternativas. Mesmos estas penas alternativas aumentam a sobrecarga do nosso já entupido sistema legal.

Legalização

Como o combate ao Jogo do Bicho tem gastado o nosso dinheiro de impostos, o próprio Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, já declarou que a legalização precisa ser discutida. O capitão reformado da Polícia Militar e comentarista de segurança da Rede Globo Rodrigo Pimentel compartilha da mesma opinião.

Fonte = Loteriasbrasileiras

terça-feira, 16 de março de 2010

O que ninguém ver na net...

O Jogo do Bicho e sua história

O Jogo do Bicho se originou no início do período Republicano. João Batista Viana Drummond, o Barão de Drummond, tinha dificuldades para manter seu zoológico com o fim do auxílio de 10 contos anuais dados pela monarquia. Seguindo os conselhos do Sr. Manuel Ismael Zevala, mexicano que tentara sem sucesso trazer o Jogo das Flores para o Rio de Janeiro, criou o Jogo do Bicho.

O visitante que chegava ao Zoológico pagava mil réis por uma entrada que vinha com um dos 25 bichos existentes no zoológico, representados por grupos de quatro números, de 00 a 99. O desenho e o nome do bicho ficavam ocultos em um quadro pregado em um mastro na entrada do Jardim. Ao fim do dia, o bicho era revelado, diante de apostadores e curiosos. O ganhador levava 20.000 réis.

As apostas atrairam a curiosidade da alta sociedade fluminense, enchendo os bolsos do Barão e do mexicano, mas atraiu também a polícia. A exploração do vício não poderia continuar, e o Jogo do Bicho foi proibido.

No início do séc. XX, com o surgimento das loterias, o Jogo do Bicho volta com força, mesmo amparado na ilegalidade. Permitindo apostas mínimas baixas, ou de “simples moedas a tostões furados”, logo caiu nas graças do povo.

Em 1962 o governo lança a Loteria Federal, numa tentativa de atrair os apostadores do Jogo do Bicho. Hoje em dia os resultados da Loteria Federal são usados no lugar do terceiro sorteio do dia do Jogo do Bicho nas quartas-feiras e sábados.

Durante todos estes anos as autoridades alternaram momentos de tolerância e repressão. Nestes momentos as propinas rolavam soltas e enchiam os bolsos dos corruptos. Houve momentos onde foi estudada a possibilidade de legalização, nunca levada adiante. Até hoje o Jogo do Bicho atrai milhares de pessoas com a promessa de pagar até 4000 vezes o valor apostado.

Recentemente a Polícia Civil vem fazendo diversas operações e aumentando o cerco contra o Jogo do Bicho. O atual secretário de segurança do Rio de Janeiro vem levantando a bola da discussão sobre criminalização ou legalização do Jogo do Bicho.

Fonte = Loteriasbrasileiras

sexta-feira, 12 de março de 2010

O q ninguém viu nos Livros...

Acertei no milhar
A história do jogo do bicho no Rio de Janeiro é reconstituída a partir de farta documentação no livro.
Michel Alecrimchamada.jpg
À LUZ DO DIA
Banca de jogo do bicho no Rio de Janeiro em 1917: tema abordado por grandes escritores
A primeira vez que se tentou acabar com o jogo do bicho no Brasil foi em 1895. Não adiantou. As apostas passaram a ser feitas no comércio por meio de vendedores ambulantes e até nas casas dos próprios bicheiros. Ninguém entendia por que o povo não podia jogar no bicho com o qual sonhara, enquanto a elite fazia sua “fezinha” nos cavalos do turfe. De lá para cá, outras tentativas de dar cabo à jogatina aconteceram em vão e a sua prática, cada vez mais ligada à corrupção, a assassinatos e tráfico, permanece lucrativa e às margens da lei. Mostra essa linha evolutiva o livro “Ganhou, Leva!” (ed. FGV), do historiador Felipe Magalhães, que conta em detalhes como o jogo acabou adquirindo estrutura empresarial. No início, sua organização financeira previa que uma banca cobrisse a outra para evitar eventual quebra. A partir dos anos 1940, o negócio ficou mais concentrado na mão de poucos “banqueiros”. “Essa competição nem sempre se deu pelos meios da concorrência capitalista. Em alguns momentos, as balas foram o meio para ganhar mais um ponto”, escreve o autor. Nada disso aconteceria sem a “vista grossa” da polícia, fundamental para o fortalecimento do bicho.

Com seu título tirado do samba “Malandros Maneiros” (de Zé Luiz do Império e Nei Lopes), uma ode à loteria, o livro mostra que o jogo mereceu a atenção de Olavo Bilac, Lima Barreto e Machado de Assis. Num conto de 1914, Machado narra o prêmio ganho pelo personagem Camilo, que não gostava de apostar seguindo opiniões alheias: “Ele perguntava como é que meia dúzia de pessoas, escrevendo notícias, podiam adivinhar os números da sorte grande. De uma feita, para provar o erro, concordou em aceitar um palpite, comprou no gato e ganhou.” Eram tempos até ingênuos. O panorama estudado, que vai até 1960, hoje incorpora a tecnologia, e os números sorteados podem ser vistos pela internet. Em 120 anos de história, só não mudou a conivência de algumas autoridades com a ilegalidade. 
Fonte = istoe.com.br

quinta-feira, 11 de março de 2010

O q ninguém viu por traz do sensacionalismo da imprensa ....

O show da prisão do bicheiro


x 300x225 Poliçada vai com tudo contra a máfia do jogo do bicho
Policiais civis descem de helicóptero em uma cobertura em Copacabana. Foto: Reprodução Rede Record
Anísio Abraão David, com 75 anos, famoso patrono da escola de samba Beija-Flor, de Nilópolis, no Grande Rio, e figura conhecida no Jogo do Bicho, foi preso, numa quarta-feira, por policiais civis, em Copacabana.

A prisão do bicheiro rendeu um show no Rio. Foto: Gabriel Bonis
O motivo de sua prisão é fruto da Operação Dedo de Deus, iniciada em janeiro para prender a cúpula do jogo do bicho no estado.
Anísio, depois de prestar depoimento na sede da Polícia Civil foi conduzido para o hospital penitenciário de Bangu, com arritmia cardíaca – enquanto seus advogados trabalham para soltá-lo através de um habeas corpus.
Quando essa operação Dedo de Deus foi iniciada, a polícia prendeu muita gente. Mas, o que chamou a atenção foi a tentativa de prisão, precisamente, do patrono da Beija-flor, em seu apartamento triplex, de cobertura, na praia de Copacabana.
A ação policial foi “espetaculosa”: nos focos de máquinas fotográficas de todos os jornais e câmeras de TV – a Globo estava lá, sucesso garantido – de um helicóptero da Polícia Civil, homens descendo de rapel, invadiram o imóvel. O dono da casa, porém, não estava lá. Mas valeu o espetáculo. O marketing foi perfeito.
Agora, com a nova prisão do Anísio, todas as autoridades dão entrevistas, aparecem, mostram números e materiais apreendidos.
A outra face do jogo
Este velho repórter, no entanto, fica se perguntando: a quem interessa toda essa exposição?
Claro que não adianta procurar as autoridades envolvidas – todas com posturas de heróis – com as quais só vamos saber o óbvio, já veiculado ao vivo por toda a imprensa.
Para entender alguma coisa, marquei um encontro informal com um sociólogo, um intelectual que pesquisa e estuda profundamente a Segurança Pública em geral a partir de uma ótica humanista.
Perguntei direto:
– Qual a causa dessas ações policiais espetaculares, que, inclusive, chamam a imprensa como testemunha?
Ele responde, também sem rodeios:
– A polícia é exagerada.
Quando quis saber a quem interessa essa visibilidade toda, ele, tranquilo, explica que tudo faz parte de uma grande indústria, que interessa a todos, numa perfeita relação com o circo. Ao Estado, porque mostra sua força e eficiência através dos “atores” pagos por ele, os policiais. De outro lado, estão os marginais, ou os “atores” pagos pelos chefes das gangues de traficantes, milicianos ou bicheiros, entre os quais, por baixo dos panos, também estão policiais.
A sociedade, por sua vez, se sente saciada, já que consegue fantasiar que o crime está, finalmente, sendo combatido.
Aqui, o sociólogo explica como a sociedade se sente ao se deparar com as ações policiais:
– É cultural. Durante a colonização, a elite tinha seus “capitães do mato”, que prendia e punia os escravos fujões. A sociedade via esses personagens, também negros ou mestiços, açoitando, numa autofagia, escravos que tinham a mesma origem étnica, mas em defesa dos interesses de senhores brancos. De diferente, hoje, são os personagens no lugar dos feitores estão os policiais e dos escravos, os infratores.
E continua:
– Na verdade, a sociedade em geral não liga para o crime, mas só o aceita desde que não haja violência. Isso explica a presença de bicheiros e traficantes em favelas. De acordo com ele, morro e asfalto são sistemas estáveis, com boa convivência, até que apareça algum conflito de interesses entre eles, com explosão de violência.
Faz parte desse universo o homem de colarinho branco, os intelectuais em geral, artistas e gente conhecida – e aceita por todos – que usa o tóxico abertamente com aceitação geral e simpatia da população. Ou o trabalhador que faz sua “fezinha” com o apontador de jogo do bicho que fica na esquina mais próxima. Sempre alimentando a indústria do crime que todos criticam.
O sociólogo mostra o paradoxo da sociedade que aceita que “vender droga é crime, mas comprar, não”.
E lembra que essa indústria é composta por muitos setores que vão de porteiros de moradias ou boates, guarda-costas e vigias, até a imprensa, que banalizando o crime, cria celebridades como os jornalistas Datena, ou o roteirista de “Tropa de Elite” Rodrigo Pimentel, todos conhecidíssimos por seus trabalhos policiais.
– Na verdade – continua o estudioso – nem tudo que é legal é moral. E vice-versa.
O jogo do bicho, que teve origem com o Barão de Drummond, que inventou o jogo para sustentar os animais de seu zoológico, vai continuar seus rumos, apesar de algumas autoridades desejarem, realmente, acabar com quadrilhas de crimes organizados. Principalmente o jogo do bicho. O estudioso mesmo acha que, sem querer, foi criado com um marketing maravilhoso, as figuras de animais. Todo mundo adora tudo que envolve animais e crianças.
– Se fossem nomes de pedras, as apostas teriam menos simpatia. É melhor o resultado com o cachorro, do que com uma ametista.
Sem qualquer entusiasmo ele conclui:
– Existe grande demanda dos apostadores. Portanto, a oferta continua sendo ótimo negócio. O jogo é simpático à população. Dentro da polícia, os servidores vão continuar usando seus cargos para trampolins, tentando uma vida melhor e sem tantos riscos. Só um idealista fica na polícia para, depois de dez anos, por exemplo, ganhar menos de cinco salários mínimos.
Já os camarotes das escolas de samba do Sambódromo da Marquês de Sapucaí – supostamente patrocinadas pelos bicheiros cariocas – continuarão misturando o glamour de mulatas e ricaços, com muita bebida, talvez até um toxicozinho para animar mais, e a certeza de que todos serão estampados, mostrando cores, alegria e exuberância, nas páginas das revistas de celebridades.


por: Edgar Catoira


Fonte = Cartacapital.com.br
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